domingo, 24 de abril de 2011

Lá na praia...



Sentada na areia contemplando o mar e o esplêndido espetáculo do pôr-do-sol... Cena quase perfeita, pois em imaginação eu sentia-o ao meu lado... Só em imaginação...
Como num filme todas aquelas cenas começaram a fluir em realidade, e logo você falava-me palavras permeadas de juras de amor eterno, e meus olhos brilhavam de entusiasmo, pois agora em todos os meus planos você estava, como uma doce prioridade dos meus dias.
E de mãos dadas sorríamos aos quatro ventos, em uma felicidade típica do amor.
Nossos dias foram assim, cheios de intensidade, pois mesmo na distância nos tínhamos em proximidade... E essa coisa antônima era o motivo do meu tormento, pois a imaginação funcionava perfeitamente, mas o cotidiano começou a exigir que os atos advindos do pensamento se concretizassem.
E por isso estava eu ali, sentada, sozinha, tentando entender as razões tão doloridas dessa triste realidade, que nos impedia de viver a nossa história...
As nossas ligações, as nossas conversas, deixavam transparecer a beleza do sentimento recíproco, mas ao mesmo tempo uma angústia sem medida tomava conta do nosso ser, pois impotentes estávamos e não encontrávamos solução. A distância era uma montanha em nosso caminho...
Não sei até que ponto isso realmente se tornava uma impossibilidade, mas num dia desses, as suas palavras de desabafo me comoveram profundamente, e como nunca senti o desejo de te envolver em um longo abraço, daqueles que dispensam qualquer palavra... Um abraço cheio de significado...
Um conflito... Amor e razão... Quem venceria?
Estava disposta a correr qualquer risco, há muito tempo já abrira mão até de mim mesma para viver a nossa história. Eu escolhera o amor, mas você escolheu a razão. Será que isso é inerente ao universo masculino? Que péssimo! Só conseguia pensar que as sete cores do arco-íris descreveriam a beleza de nossos dias juntos, mas você escolheu nem sequer tentar...
O fato é que não chorei. Foi um sofrimento solitário, não conseguia expulsar a tristeza em forma de lágrimas. E sem perdão o tempo passa, e sobre os fatos ele é senhor, pois nos ensina lições e ameniza os fardos... A ideia de viver sem você, por alguma brecha mínima, por osmose, sabe-se lá, conseguiu entrar em minha mente e assim eu comecei a entender que meu sentimento não foi valorizado, e que você não se dispôs a fazer todo o possível por nós. Isso doeu, mas serviu como um trampolim para que eu decidisse dar uma chance a mim mesma.


Não creio que foi algo vão, vazio... Foi tudo muito verdadeiro, mas o abismo existia... E a ferida ficou aberta, mas aos poucos vai se fechando. Sei que vai restar a cicatriz, ela me impedirá de esquecer completamente, mas possibilitará a mim distinguir quem realmente será aquele que preencherá o grande espaço antes exclusivo seu.

(Liana Marla)

Um comentário:

Irandubense disse...

belas palavras, que seus escritos possam fazer muito sucesso!